Sete meses antes de ser espancada com 61 socos em 36 segundos em um elevador, no dia 26 de julho de 2025, em um condomínio em Natal, no Rio Grande do Norte, Juliana Soares já havia sido agredida pelo ex-jogador de basquete Igor Eduardo Pereira Cabral.
Em entrevista ao Domingo Espetacular, neste domingo, 3, Juliana disse que já recebeu um empurrão do então namorado. Na ocasião, ela decidiu não registrar boletim de ocorrência por acreditar que o episódio havia sido um “impulso”. Após as agressões que deixaram a mulher completamente irreconhecível, Juliana disse que sobreviveu à tentativa de feminicídio para “dar voz às mulheres que não tiveram a mesma chance”
Juliana revelou que Igor, de 29 anos, já apresentava comportamentos violentos e possessivos desde o início da relação, e que ele já tinha histórico de agressões a outras pessoas e que, ao longo do relacionamento, chegou a quebrar dois celulares dela por ciúmes.
“Ele era muito controlador, mas ele mesmo sempre justificava isso como uma forma de amor ”, contou.
Na tarde do sábado, 26, em que ocorreu a agressão, o casal havia recebido amigos na área comum do condomínio onde moravam, no bairro de Ponta Negra. Após uma discussão motivada por ciúmes, Igor tomou o celular de Juliana e o arremessou na piscina. “Eu peguei as minhas coisas, minha bolsa, e fui lá para o bloco, me sentei no banquinho e fiquei lá tomando um ar”, relatou ela na entrevista.
Pouco depois, ele subiu até o apartamento dela, no 16º andar, enquanto Juliana acessava o prédio pelo elevador de serviço. Ao se encontrarem, Igor tentou impedir que ela entrasse em casa. Ela se recusou a sair do elevador por saber que fora dali não haveria câmeras. Foi então que ele ameaçou: “Então você vai morrer”.
“Eu projetei o meu braço na frente do meu rosto para tentar me defender. Eu lembro que naquele momento o meu propósito era me manter viva, me manter consciente, na medida do possível, porque se eu me entregasse, eu tenho certeza que eu não estaria aqui para contar essa história”, disse.